Hoje, em conversa com uma amiga que tem piolhos "normais", veio á baila a questão de não concordar com o método de educação empregado por ela. (ok, ok...são os filhos dela, mas foi-me dada a oportunidade de meter a colher...)
Ora bem, a conversa acabou com "Se tivesses filhos normais eras como as outras mães, de volta das coisas diárias e terias o mesmo comportamento" (ou qualquer coisa do género). Obviamente que discordo na totalidade.
Quando esperava o Ratinho li um livro com o qual me identifiquei de imediato. Esse livro era o "Beja me mucho". Ele partilha connosco a ideia de que somos todos mamíferos e que, á semelhança dos nossos parentes afastados macacos, devemos estar junto à nossa tribo. Ora bem, uma criança passa 9 a 12h ou mais longe da mae/pai. Quando se dá o reencontro, é de esperar que esteja ansiosa por partilhar o seu dia a dia, de ser repleta de mimos e de poder "pendurar-se no pêlo do progenitor". Se o progenitor chega a casa e não ouve os gritos desesperados das crias, o que é que isso irá causar? Sentimento de rejeição, sentimento de solidão, insegurança...e as crianças vão fazer asneiras para chamarem a atençao.
Sinceramente é muito mais agradável chegar a casa, ter a comida ja feita, sentar o rabo á frente do pc e ir para o facebook/msn/skype/o que for e, sempre que a cria diz "Oh mae" dizer "O que foi agora" num tom de impaciência. Afinal estivemos a trabalhar 8,9,10, 14 h e vêm agora chatear-nos nos poucos e escassos momentos que temos em casa.
Se...se o Ratinho fosse um menino "normal", chegaria a casa e quereria saber do dia dele. Rosnar-lhe-ia se não tivesse os trabalhos de casa feitos. Colocaria a mesa para o jantar, enquanto trocávamos ideias sobre o que fazer no fim de semana ou sobre que partida pregar ao pai. Ralharia com ele se trouxesse um vermelho no comportamento. Sentar-me-ia com ele a ver tv após o jantar. Teriamos uma noite de jogos em familia, uma actividade familiar ao fim de semana e iria deitá-lo e dar-lhe um beijo de boas noites todos os dias. De manhã iria gritar "despachas-te ou vais de pijama para a escola, nao quero saber!!!". Ensinar-lhe-ia a andar de patins na primavera, jogaria monopolio durante os dias de férias escolares (e provavelmente leva-lo-ia comigo para o emprego...). Há muita coisa que faria e que nao faria, mas uma coisa é certa: não chegaria a casa e me sentaria ao computador a brincar nas redes sociais ou a jogar, mas se o fizesse, era com ele ao meu colo, a partilhar comigo aqueles momentos.
Até pode ser utópica esta minha visão do que seriam os meus dias de "mãe normal", mas nunca me veria a ser de outra forma...e isto não é porque o Ratinho é como é, é sim porque as crianças precisam de colo, de mimo, de carinho, de paciencia, de amor e de se sentirem seguras. Por isso faria de tudo para que o meu Ratinho percebesse o quanto era amado.
Lisencefalia (ou lissencephaly, em ingles) significa cerebro liso. É um defeito da migração neuronal, ou seja, os neurónios não conseguem completar a sua jornada até ao cortex cerebral. Isto leva a um atraso mental profundo (idade mental de 3 a 5 meses de idade), epilepsias graves e uma esperança de vida muito reduzida. O Ratinho tem o cerebro completamente liso, com excepção de 2 circunvoluções na parte frontal.
Não é uma visão utópica- Pq é isso que fazemos. Como sabes trabalhamos por turnos e claro naqueles dias que saímos cedo só nos apetece descansar mas não a nada mais divertido do que sentar-nos com o M. a brincar. Ou até ver o pocoyo ou o Noddy no pc.
ReplyDeleteEle fica calmo e contente. e sabe que depois são horas de tratar do jantar, ajuda a por a mesa, diz assim: "O Martim faz!" Sinto que é uma criança feliz, que se sente amada e isso é o mais importante. Concordo contigo a 100%
Sou mãe de um bebe "normal" e partilho as tuas opiniões, e sou como tu, ando sempre com o meu principe atrás.
ReplyDeleteNão penses de modo algum que és a única a ser assim!
Eu também sou constante alvo de critica por ser tão pegada a ele, porque não consigo ir a um jantar e deixá-lo com quem quer que seja; porque estou sempre ansiosa para o ir buscar e não o deixo mais tempo na creche para poder fazer o que quer que seja... enfim...
Desculpa esta minha intromissão no teu cantinho, mas senti "necessidade" de partilhar este sentimento.
As melhoras do ratinho, e que tudo corra bem convosco.
Concordo 110% consigo. Tenho uma "ratinho" normal e quando chego a casa faço tudo com ele. Até passo a sopa com ele ao colo. Dedico-me só a ele e depois de o adormecer junto a mim é que trato de mim. Ontem lavamos os dois o chão, custa-me, as minhas costa não me perdoam mas eu não perdoaria se o pusesse em frente à TV ou no quarto dele sozinho, afinal para que trouxe à vida um anjo não foi para me dedicar a ele? O ler as suas palavras fazem apreciar o que temos de mais precioso tempo e saude. Pode não ser uma "mãe normal" mas é de certeza uma super-mãe. Não a conheço mas admiro a sua força e modo de vida. É inspirador! Muitos beijnhos
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