Atenção!

Informamos que desde o ínicio de 2015:

- não recebemos nenhum tipo de ajuda vinda de familiares;
- nenhum familiar do Ratinho (excluindo pai e mãe) empresta, oferece ou sob outras formas, dinheiro ou bens materiais para ajudas relacionados com o Ratinho ou outros;
- nunca nos encontrariamos na situação actual se não fosse a maldade de determinados membros de familia que têm vergonha de ter uma criança deficiente como familiar;
- que eu, mãe, fui sujeita aos mais diversos tipos de abusos para manter o meu filho seguro e dar-lhe a melhor qualidade de vida possível

Quem disser o contrário, está a mentir.

Tuesday, January 26, 2010

Um pesadelo

No mesmo dia, por volta da mesma hora, á um ano atrás...entramos nas urgências do Hospital Pediatrico pois o meu menino estava com convulsões não febris. Tinhamos saido os 2, de manhã, ao final da manha. Eu (a mamã do Ratinho) tinha que terminar um trabalho e levei-o comigo no seu marsupio. Ele tinha um casaquinho azul da Noukies vestido e o marsupio era azul. Sentei-me na minha secretária, terminei o que tinha a fazer. O meu menino dormia ao meu colo. A colega que se sentava á minha frente perguntou como conseguia trabalhar com ele ao colo...e eu só pensava que não poderia trabalhar de outra forma. Fui á secçao onde se trata das burocracias. Assinei papeis e, enquanto esperava, o meu menino abre os olhos e fica estático. As pupilas ficam uma de cada tamanho e a sua carinha contorce-se. Retirei-o do marsupio e abri-lhe o casaco. Vi que ele nao respirava e se contorcia...a sua carinha, os bracinhos, as perninhas. A senhora com que estava a tratar das papeladas pergunta-me se chama o inem, alguem...e lembro-me de ter tido a presença de espirito de pensar quanto tempo demoraria o inem a chegar e quanto tempo eu demoraria a meter-me no carro e a chegar ao hospital. Nisto o meu menino "acorda" daquele sonho mau. Começou a babar-se muito e estava um pouco confuso e cansado. Literalmente, enfiei-o debaixo do braço, corri para o carro, enfiei-o no ovo, meti-me a caminho, liguei para os avós. Meti-me no hospital em menos de 3mn (o hospital ficava perto e a pressa era muita) sempre a ver se o meu menino respirava e se ele nao adormecia (sim, sentia que se ele adormecesse alguma coisa má se podia passar, o que acabou por se verificar). Quando cheguei ao hospital ja estavam á minha espera nas urgencias e o meu menino entrou. Lembro-me de ter ficado muito irritada quando a enfermeira na triagem duvidou do que tinha contado. Levaram-no para um quartinho e marcaram um EEG. Eram pouco menos que 14h e lá foi o meu menino fazer o EEG...que não sequer se realizou pois começou a convulsivar logo no inicio do exame (o EEG era para se ter certeza de que existia uma actividade anormal no cerebro...e ele tinha adormecido)...e coloraram stesolid. Enviaram-nos para o Hospital Pediátrico. Fomos de ambulancia com uma enfermeira. Uma viagem de 70km "fez-se" em 5mn. Nisto o meu menino adormeceu (ao longo da viagem)...e quando acordou nova convulsão. Mais stesolid...
Chegamos ao Pediatrico, entrámos para uma sala fria, escura. Ninguem falava comigo, ninguém me dizia o que se passava. O meu menino chorava, chorava desalmadamente, como se algo se estivesse a perder. Nada o acalmava. Veio a neurologista...mandaram-nos fazer um TAC...e ficámos internados. As horas passavam. A minha mãe (a avó) chegou. Foi falar com os medicos. Também não me disse nada. Sentou-se no cadeirão, sentei-me ao colo dela e lá fiquei, a ser embalada, com o meu menino ao lado, na caminha de hospital, num quarto frio, feio e com poucas condições. Colocaram-lhe cateter para administrar medicamentos e soro. As horas, que parecem anos, decadas, passaram...e chegou o papá. Fomos jantar...como se alguem conseguisse comer alguma coisa (a avó tinha ficado com o meu menino). Chegámos do jantar...não haviam novidades.
O papá foi para casa, precisava descansar, no dia seguinte tinha que trabalhar. A avó foi para casa, no dia seguinte tinha que trabalhar. Eu e o meu menino lá ficámos, os dois, entregues um ao outro, num quarto de hospital com mais 2 crianças (2 meninos com broquiolites...um deles chamava-se Bruno...o outro nao me lembro). Após ter recebido os medicamentos intravenosos, o meu menino "voltou". Eu pedia com todas as minhas forças que fosse "só" uma epilepsia...
A noite foi dura. O meu menino chorou até ás 3 da manhã, hora em que um "simpático" enfermeiro disse para lhe colocar um supositório. Pedi-lhe ajuda porque nunca tinha colocado nenhum e estava muito nervosa (ok, eu sei que colocar um supositorio nao tem dificuldade nenhuma, mas naquele momento pareceu-me pior do que interpretar a teoria da relatividade)...e o enfermeiro foi bastante desagradável, mas lá pôs o supositório no meu menino. O meu menino acalmou, mas o oximetro apitava por tudo o que era lado. Mal consegui dormir, mas o meu menino conseguiu descansar um pouco.
A manhã chegou...

4 comments:

  1. Mamã querida, nem sei que te diga.
    Este teu relato desse dia deixou-me em lagrimas.
    Foi um dia terrivel, assim como hoje, a recordação de tudo o que se passou.
    Respira fundo e amanhã é outro dia.
    Abraça o teu menino e ve os seus sorrisos para acalmares a tua tristeza.

    Um abraço do coração

    Flora

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  2. No ano passado li o q escreveste e este ano volto a ler e fico arrepiada. Se existisse um Deus nao deixava que o teu ratinho sofresse o q sofre, ou ele vive feliz? Nunca sei o q te dizer, só penso que gostava de poder mudar as coisas e q esse dia nunca tivesse existido e q é mau demais e q o ratinho é lindo e q voces merecem tudo de bom, é q o teu menino é lindo lindo.

    Nunca mais consegui escrever naqle forum.

    Muitos miminhos carinhos e coisas boas

    Susana 32 ou era 33 (agora é 34 quase 35)

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  3. Nem sei o que diga... os internamentos do meu filho e a cirurgia já me deixaram no limite...
    Como se arranja essa tua força??
    E nestes momentos sei como é difícil tropeçar com maus profissionais de saúde... bastava 1 sorriso e boa vontade que a nossa dor não seria tão grande!!
    Sou uma seguidora e admiradora vossa. Comento poucas vezes, pois este ano foi tb muito difícil para mim (até tenho vergonha de me queixar...) e neste momento guardo todo o tempo para mimar o meu herói!!
    Bjs do tamanho do sol

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  4. CARAMBA!!!!

    Eu trabalhei nas urgências pediátricas, como auxiliar, e apesar de estar a fazer o meu trabalho da melhor e mais célere maneira, nunca me consegui alienar do sofrimento dos pais e das crianças... sei que a experiência me enriqueceu, mas quando nos calha a estar do outro lado é angustiante!

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